Impressionante o fascínio que a música, o rock, e, nesse caso, a guitarra pode exercer sobre alguém, sobre um jovem, sobre a criação. It Might Get Loud (A Todo Volume) reúne três cabeças, épocas e mundos diferentes, que têm em comum a paixão pelas seis cordas. Seja querendo sair do eixo, da coerção e  mecanicidade das pautas de estúdio, seja desafiando um mundo decadente em que o básico é a forma de sobreviver e se expressar, seja remontando origens e encontrando no deformado o ideal, essas três almas demonstram que as impossibilidades sempre podem ser contornadas, desafiadas e superadas.

Jimmy Page, do Led Zeppelin, The Edge, do U2,  e Jack White, do White Stripes compõem, nesse filme de Davis Guggenheim, um capítulo a mais no evangelho desse instrumento que ultrapassa e une gerações. Cada um, com seu modo de tocar e ver a guitarra, acaba por definí-la, a seu modo, como uma extensão, seja do corpo, da voz, da alma, uma maneira de expandir a si mesmo e alcançar os outros, lá onde realmente importa.

Os músicos esclarecem e acrescentam novos mitos às suas lendas pessoais, sobretudo Jimmy Page, que quando garoto pensou em ser biólogo. O cenário de caos vivido por The Edge vai ser o fundo de sua luta por expressar-se, por conseguir por para fora as tormentas da alma. Jack White vai percorrer um trilha em que o usado, o gasto, vai definir uma necessidade e formar um estilo.

Independente do contexto e das dificuldades, vai ser a guitarra o que vai possibilitar a esses artistas deixar seu legado à humanidade, para que as gerações futuras possam querer fazer parte dessa história, como eles, bebendo da linguagem mais universal aos homens e, quem sabe, escolhendo ou sendo escolhidos por uma guitarra.

Outras leituras desse filme aqui ou aqui.